Todos os homens na igreja
Os donos de bar
E os que tomam cerveja
Os que frequentam a escola
E ganham dinheiro
E os miseráveis que sofrem
E morrem primeiro
Os que cheiram cola
E fumam coisas estranhas
Os que ganham a vida com artimanhas
Os homens honrados
Os homens covardes
E até mesmo os homens bravos
São todos escravos
Querendo me fazer escravo também
Querem que eu diga amém
Eu poderia
Mas só diria por você
Os homens que lutam
Pra ter o direito de votar
Em quem vai lhes roubar
O direito que tem de lutar
Eu estou tão cansado
De ir contra a vontade popular
Que por você deixaria
De ter vergonha e consciência
Fingiria aceitar e ter paciência
E aceitaria os azares
De um suposto destino
Como um suposto castigo divino
E entraria para o sistema de controle mental
Que comanda a vontade mundial
Se isto te trouxesse para o meu lado
Eu estou tão cansado
Mas só desistiria por você
Eu só desistiria por você.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Onde está você
Para com sua simples presença e sua cor
Acabar com meu mal humor
É, onde está você
Para me olhar de longe
Como se já estivesse ao meu lado
Para esquecer meus crimes
Me fazer sentir perdoado
Para com seu sorriso
Colocar mais dentes em minha boca
E com sua calma
Frear o ritmo de minha vida louca
De onde pode vir
Para pousar em minha agonia
E transformar
Toda frustração em alegria
Deixar tudo do jeito que eu queria
Apareça
Não existe motivo
Para que mais pedidos eu faça
Por que nunca me procurou?
Eu só queria saber
Onde está você
Para me dizer aonde eu estou.
Que nossos direitos sejam mesmo humanos
E não sejam mais nossos pecados os capitais
Que nossas reservas sejam morais
E não materiais
Pois para alcançar a liberdade
Nossa alma tem que caminhar em paz
Nossa mente tem que fazer
Nosso corpo capaz
E que um número positivo
Entre nossas perdas e nossas vitórias
Resulte apenas em nossa experiência
Que não nos prevaleça a mesquinhez e a ganância
E então que toda influência
Que você tem em meu coração
Me ajude a tomar a melhor decisão
Eu te amo
Que nosso instinto não seja animal
Se deixando levar pela necessidade de ter
Mas que a racionalidade
Seja o nosso diferencial
Que a nossa bondade
Finalmente sobrepuje nosso mal
E que seus olhos fixos em mim
Me ajudem a encontrar o melhor caminho
E que pra isso eu não precise estar sozinho
Nada que eu possa vender
Ou reverter em dinheiro pra mim
Nada que eu possa comprar
Corromper ou coisa assim
Só sentimento.
E não sejam mais nossos pecados os capitais
Que nossas reservas sejam morais
E não materiais
Pois para alcançar a liberdade
Nossa alma tem que caminhar em paz
Nossa mente tem que fazer
Nosso corpo capaz
E que um número positivo
Entre nossas perdas e nossas vitórias
Resulte apenas em nossa experiência
Que não nos prevaleça a mesquinhez e a ganância
E então que toda influência
Que você tem em meu coração
Me ajude a tomar a melhor decisão
Eu te amo
Que nosso instinto não seja animal
Se deixando levar pela necessidade de ter
Mas que a racionalidade
Seja o nosso diferencial
Que a nossa bondade
Finalmente sobrepuje nosso mal
E que seus olhos fixos em mim
Me ajudem a encontrar o melhor caminho
E que pra isso eu não precise estar sozinho
Nada que eu possa vender
Ou reverter em dinheiro pra mim
Nada que eu possa comprar
Corromper ou coisa assim
Só sentimento.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Levava a vida que sempre idealizara para si. Seu marido, sua filha, sua casa, seu emprego. Levou algum tempo, exigira alguma paciência, um pouco de sacrifício, mas afinal, para se chegar a esse nível de felicidade, é necessário um certo esforço. Dedicação. Mas valera a pena. Agora estava segura. Segura dentro dos murros que erguera para sua vida. Feitos com o cimento da persistência. Os mais resistentes e que mantinham as decepções a distância. Pelo menos era o que ela pensava, até começarem as brigas. Não lembrava bem quando nem porque haviam começado mas o fato é que ela e o marido já não estavam se entendendo tentou em vão contornar a situação, mas quanto mais tentava, mais as coisas se complicavam. Estava assustada. Nunca havia passado por uma situação parecida. Não estava preparada. Então chegou o dia. Ele teria que ficar fora por uma quinzena a trabalho. Combinaram então, que este tempo seria usado para que refletissem e que quando ele voltasse, decidiriam o que fazer. Ela nunca havia passado uma única noite sequer afastada dele desde o casamento e com as brigas, ficava ainda mais difícil suportar o afastamento. Pela primeira vez, percebeu que seus muros não eram tão fortes quanto pensava. Por isso resolveu sair naquela noite. Uma depois dele partir. Conseguiu convencer sua mãe a ficar com a filha alegando ter de ajudar uma amiga e saiu sem saber exatamente para onde. Dirigiu sem rumo por algum tempo até que parou em frente aquele bar esquisito. Não deu muita atenção as pessoas e a aparência do lugar. Precisava beber algo. Deixar que o álcool descesse seu poder temporariamente tranquilizador sobre sua angústia. Entrou e pediu uma cerveja decidida a embebedar-se. Já fazia uma hora e algumas garrafas que estava lá quando percebeu aquele rapaz lhe observando. Não sabe bem o porque, se por causa da embriaguez ou por causa da fragilidade em que se encontrava, mas sorriu. Quando deu-se conta, já estavam conversando animadamente em uma mesa. Ele parecia alguns anos mais jovem, mas era divertido e parecia ser uma boa pessoa. Pelo menos para dividir alguns copos de distração. Com o passar das horas já conversavam como se fossem amigo íntimos. Ela sentia-se cada vez mais encantada por aquele rapazinho de personalidade tão magnética. Então aconteceu. O beijo. Forte e voluptuoso como são os beijos das pessoas embriagadas. Em algumas horas já faziam um ao outro declarações apaixonadas. Mas a claridade do dia vinha finalmente conseguindo derrubar a mágica escuridão da noite e ela lembrou-se da filha. Despediu-se com um certo pesar, dirigiu de volta para casa, não sem antes prometer a ele que voltaria a vê-lo. Realmente não resistiu e acabou encontrando-o mais vezes e a cada vez surpreendia-se mais com o jeito envolvente daquele "quase-menino" que se dizia completamente apaixonado por ela. Ela mesma já não sabia mais o que estava acontecendo, então resolveu proibir-se de encontra-lo e pediu que não a procurasse mais. Sua parca força de vontade durou até aquela sexta-feira, quando não aquentando mais ligou marcando um encontro. Encontraram-se e nada precisou ser dito. Duas horas depois ela estava sentada em uma cama ao seu lado. Olhava para ele que dormia suavemente como é o sono das pessoas realizadas. Demorou-se a olha-lo e quase desejou que as coisas fossem diferentes, mas seu tempo havia acabado e sabia o que tinha que ser feito. Respirou profundamente enquanto calçava os sapatos, levantou-se e foi em direção a porta. Olhou-o mais uma vez antes de sair e pensou que gostaria de beija-lo novamente, aliás, gostaria de tê-lo beijado muito mais nos últimos dias, mas ficou aliviada por ele estar dormindo. Assim seria mais fácil, não queria ter nenhuma recordação de um último gesto ou olhar que futuramente a fizesse achar que tomara a decisão errada. Precisava ter certeza sempre. Acreditar na razão sobrepondo-se a emoção. Havia sido assim desde o início. Fechou a porta como quem fecha um livro depois de ler, daqueles que gostaríamos que houvessem mais alguns capítulos. Mas este terminara. Era hora de voltar para dentro dos muros. Mas com certeza teria que arranjar mais cimento.
Amavam-se profundamente. O simples fato de um enxergar o outro consumia com qualquer outra necessidade que sua condição humana lhes impusesse. Nunca brigavam. Os amigos costumavam dizer que morreriam juntos. Eles também. Era realmente um grande amor. E como quase todo grande amor, um dia terminou. Ninguém nunca soube a razão. Talvez nem eles. O fato é que jamais se reconciliaram. Passados os anos, ele, de proprietário de imóvel passara a frequentador assíduo de bares, com cadeira reservada todas as noites. Ela, construíra uma casa. Ele ao contrário do repassar das garrafas em sua mesa, jamais concretizara o que agora chamava de "os velhos sonhos distantes". Ela que não esperara muito da vida, que nunca se preocupara muito com o futuro chegara muito mais longe do que poderia imaginar, alcançando a independência financeira. Ele devido as orgias de sua vida cada vez mais desregrada, perdera quilos e ganhara filhos, muito embora nunca tivesse sido comunicado da existência de nenhum desses rebentos. Dizia, sem a mínima noção do fato, que uma vez há muito tempo, pensara em ter filhos mas que perdera a vontade junto com algo mais que não quis dizer o que era e além disso, mais uma festa estava começando e nostalgia era coisa para imbecis. Ela estava casada a quase dois anos quando soube da notícia de sua morte, não soube dizer bem o que sentiu naquele momento, mas teve que desviar os olhos do marido por alguns instantes. Os amigos contaram que ele parecia meio melancólico na noite de sua morte, vinte e quatro de maio daquele ano e que apesar dos protestos de todos, recusara-se, sem dar nenhuma explicação, a ir a mais uma de suas costumeiras orgias retirando-se do bar onde encontravam-se. durante aquela madrugada, após acabar sozinho com uma garrafa inteira de uma bebida destilada qualquer, adormecera e tivera um sonho. Subia uma montanha muito íngreme, já a escalava a bastante tempo e perguntava-se porque nunca alcançava o topo, quando olhou para cima e percebeu que uma grande pedra se soltara provocando uma enorme avalanche. Tentou correr, mas já era tarde, acabou sendo soterrado pelas pedras que na verdade eram seu próprio travesseiro que espremia contra o rosto enquanto dormia. Asfixia. Esse foi o laudo médico. Acordou sentado em uma nuvem, olhando para o próprio velório na capela do cemitério logo abaixo. Quando apercebeu-se da situação, pensou que morrera sem concretizar nada do que sonhara, mas não sentia-se triste por causa disso, pois acreditava que sonhos são para serem sonhados, pois quando concretizados perdem o seu valor de sonhos para ganhar o valor da verdade podendo nos deixar sem objetivos. Apesar de saber que existiam os que acreditavam que sonhos realizados podem elevar-nos ao cargo de heróis de nós mesmos fazendo com que a figura no espelho apresente-nos um sorriso de orgulho todas as manhãs para o resto de nossa vidas. Mas esses eram apenas devaneios de um boêmio falecido. Começou a vasculhar com os olhos a sala onde acontecia o seu velório, curioso para saber quem tinha comparecido, espantou-se ao ver em meio aos seus amigos de orgias, jogadores de sinuca e alcoólatras inveterados, a presença dela, sentada a um canto com duas crianças pequenas, provavelmente seus filhos e pensou então se aquele amor que o acompanhara durante toda sua vida e que ainda agora persistia, havia sido a causa de seu declínio ou se a sua óbvia tendência ao declínio é que acabara com aquele amor. de repente sentiu vontade de ir embora, levantou-se decidido, mas antes de virar-se em definitivo, olhou mais uma vez para baixo e riu ao ver o dono do bar que frequentava, achando estranho seu comparecimento, pois morrera sem pagar a conta.
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