sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Existe algo que teu corpo 
Faz melhor em minha alma 
O cheiro melhor em minha roupa?
O beijo melhor em minha boca?
A maciez de minha cama
Que quando deito sozinho me estranha?
O esforço de meu inconsciente 
Para que em meus sonhos te encontre?
Meu fígado rejeitando mais vinho?
Meu coração que já é teu ninho?
Todo meu pranto 
Num espa-so-zinho?
Limpando meu rosto 
Da lembrança do teu carinho?
O sol mais forte em meu dia 
Sorriso quando penso que voltaria?
A luz da lua em meu rosto
Saudade quando lembro do teu gosto?
A dor que arde no peito
Por saber que não há jeito?
Tudo em você dentro de mim
Que me faz pensar assim 
Que te adoro sofrer menos?



Toda pureza contida 
Esvai-se com as fraquezas 
Da mente já inimiga 
O corpo jaz sem defesas 
O pecado nu escorrendo 
A força se desvanecendo.
Bom senso no álcool embebido
Equilíbrio no chão desmaiado 
Vivendo em medo disfarçado 
Pânico mal dissimulado
Correndo com a dor 
Lado a lado
Continua dosando o veneno
Sorrindo e sonhando pequeno
Fingindo não ver o engano
Desejando fim da tortura 
Um pouco de paz uma trégua
Pra não se acabar na loucura 
Nem tenta mais à vida por regra 
E como se não bastasse
Como se atormenta 
Não mutilasse
Acorda a testa suada 
Provando que o tempo, às vezes,
Se o conto não é de fada 
Nos deixa a memória ligada
E se a alma já tão carregada 
Da carne quiser o dissidio 
Qual dos teus crimes 
Não te fará pensar em suicídio? 

Pode um vulcão ter controle
Lançando fogo somente ao que sobra
Mantendo intacto 
O que a ele se dobra?
Podem os fantasmas e o escuro
Assustarem mais ao homem que a criança
Possibilitando assim a compreensão 
Da distância entre a incerteza e a segurança?
Ou sem hesitar, a guerreira desistir da guerra
Toda a dor cair por terra 
Juntar-se então ao vagabundo que aos pedaços 
Jogava seus sentimentos ao espaço?
Pode a dúvida deixar de existir 
Transformar-se em nada mais para refletir?
Pode uma realidade alternativa 
Botar nossa alma mais viva 
A tal ponto de ganhar credibilidade 
Moldando-se então a verdade?
Pode um desejo quase seco 
Tornar-se verdade 
Equiparando assim todas essas questões 
Ao nível da banalidade?